Encontro-me neste momento deitada, no meu quarto, com uma manta a cobrir cerca de metade do meu corpo, com o aquecimento ligado e de pantufas calçadas. Apesar de todo o aconchego que as minhas palavras possam transmitir, sinto-me um pouco desconfortável... Contraditório, não? Da janela do meu quarto, consigo aperceber-me de que chove lá fora. Quer dizer, não necessitava de olhar através do vidro para perceber isso, visto que o barulho das gotas a escorrer pelo vidro e o som do vento a soprar por entre a folhagem das árvores não deixam margem para dúvidas. Apesar do vento, da chuva e do frio, o ambiente citadino mantém-se como de habitual. Claro que com a condicionante da chuva, o movimento nas ruas não é tão significativo como se o estado do tempo fosse agradável, mas ainda assim, as pessoas continuam a andar de lado para lado, acompanhadas pela sua gabardine e pelo seu guarda-chuva.
Visto que a minha casa fica à margem da estrada e a janela do meu quarto é de dimensões consideráveis, consigo ver a expressão facial de algumas pessoas que por aqui passam. Já não sorriem, não cumprimentam, não páram para conversar. É como se a alegria estivesse cada vez mais distante e a boa educação perdesse os seus contornos... Será tudo culpa da chuva, ou será que as pessoas são cada vez mais "viradas para o seu próprio umbigo", esquecendo-se de que vivem em sociedade? A resposta parece-me evidentemente clara, mas deixo a questão no ar.
Abordando agora confissões pessoais, este tempo entristece-me. Não sei se é por daqui a precisamente uma semana ser Natal, se é pelo estado do tempo ou por influência das campanhas de solidariedade que passam nos meios de comunicação, mas lembro-me dos sem-abrigo e das dificuldades que atravessam nesta altura do ano em particular. Como sobrevivem eles aos desafios ambientais decorrentes do Inverno? Onde dormem? O que comem? E mais triste ainda... Onde e com quem passarão o Natal?
E assim me despeço, na esperança de que amanhã o Sol espreite por entre as núvens, nem que seja para dizer um "Olá" e dar uma pitada de alegria aos meus dias...
Ana

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