A Natureza parece estar zangada com os humanos. A noite passada foi horrível, nem parece que estamos na época mais bonita do ano. Portas a bater, árvores arrancadas, chuva torrencial, vento a soprar em todas as direcções. Com todo este cenário que combina agonia e medo, numa junção quase fantasmagórica, não consegui dormir dez minutos que fossem ao longo de toda a noite. Finalmente, quando o dia surgiu, ganhei coragem, abri ligeiramente as frinchas da janela do meu quarto só para me aperceber do impacto que tal distúrbio ambiental tinha provocado nas redondezas da minha residência. A minha reação não foi de espanto, porque o som que ecoou ao longo de toda noite foi o necessário para que eu imaginasse todo o cenário exterior na minha cabeça, como se de um filme aterrorizador se tratasse. E aquilo que eu imaginei, tinha acontecido, de verdade. As plantas que a minha mãe colocara em grandes vasos de pedra à entrada da minha casa tinham tombado, porque a força do vento era de tal maneira enorme, que nem a força da gravidade a conseguiu vencer. Vi carros derraparem no piso escorregadio, com risco de ocorrência de acidentes graves, dado o relevo da região. Folhas a arrastarem-se com o vento a virem ao encontro das pessoas, guarda-chuvas a voar, pessoas a correr, jardins e plantações destruídos. A chuva caía sem parar, chapinhando nos passeiros e batendo nas vidraças das janelas, sem pudor algum.
Neste preciso momento, encontro-me deitada na minha cama, aconchegada e com o computador em cima dos joelhos, a descrever toda esta situação. Sinto-me bastante cansada, porque como já referi, não consegui dormir durante toda a noite e mesmo quando, de manhãzinha, tentei fazê-lo, não consegui. Isto porque o mau tempo continua, os estragos continuam, o frio continua, o vento continua a soprar como se quisesse levar tudo consigo, transmitindo uma profunda sensação de instabilidade e ao mesmo tempo preocupação. Eu estou de férias, mas os meus pais saem todos os dias para trabalhar e, parte da minha preocupação tem também a ver com eles. Com os postos de trabalho ligeiramente distantes do sítio onde vivo, os cuidados de circulação têm de ser redobrados e a preocupação aumenta, como é lógico.
Nem em miúda me lembro de a Mãe Natureza ter preparado uma surpresa tão triste para a véspera de Natal, não me lembro sequer de uma noite e de um dia como este. Qual terá sido o objectivo dela? Será que pretende dar alguma lição aos homens?
Parece que o Natal, do ponto de vista climático, vai ser mais triste do que em anos anteriores, mas quando estamos em família, quentinhos à lareira, a cear com aqueles que mais gostamos, tudo o que é secundário deixa de ter importância. Penso que é este o verdadeiro espírito de Natal... Quem se vai ver aflito é o Pai Natal, ou arranjou uma gabardine a combinar com a fatiota para correr o mundo com as suas renas, ou cheira-me que amanhã alguém vai ficar em casa, a recuperar.
FELIZ NATAL :)

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